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Granjinha/Cando

e Vale de Anta... factos, estórias e história.

Granjinha/Cando

e Vale de Anta... factos, estórias e história.

um ano de caminhada...

07
Abr10

 

uma fugida para assinalar!

 

 

7 de Abril de 2010 !!!

 

 

 

até logo...


 

Regresso breve, pois há dias assim... apenas para deixar esta fotografia dos "músicos" dos REIS DE SÃO SEBASTIÃO, que resolveram cantar uns humildes parabéns ao BLOG...Granjinha/Cando !

 

Os parabéns especiais que o blog recebeu !!!

 

“UM país de ENCANTO”


Os lobos acoitavam-se na serra de Ardãos.

E pela calada da noite, descendo a CURALHA, subindo ao CANDO, deslizando pelo Vale da Cabra e pela Sobreira paravam à entrada do Campo a contemplar o tímido bruxulear das luzes da cidade - e sempre na desconfiança que lhes aparecesse o Kim das Chardas com a sua farrusqueta certeira ou o Tio Kim com o sacholo no ar, bem lembrados da última cabra que haviam lamparado à Tia Olinda - faziam as suas incursões ao Matadouro.

O “Jordão”, do Tio Kim, mal os sentia, dava logo uns fortes latidos a convidar o “Tejo”, da Tia Maria do Campo, a dar-lhes uma corrida. O cachorrito do Tó da Tia São fazia-se valente, ladrando lá de dentro de casa, atrás da porta, como que a aplaudir a coragem daqueles dois vizinhos.

Os Palheiros do Alto do Campo eram como torres fronteiriças.

E os lobos da serra de Ardãos, se queriam chegar ao Matadouro, lá se enfiavam por trás dos Palheiros, sorrateiramente.

Aproveitando a distracção de cães e lobos, os linces e os gatos bravos visitavam os galinheiros e as coelheiras com toda a cortesia.

Os ratos fintavam os tojos a fazer de antecâmara àquilo que se pendura no tecto e nos lareiros, no tempo em que mais se aprecia o calorzinho das lareiras.

O Turíbio do Cando bem avisava a Ester para ter cuidado quando fosse cuidar do Pedrete.

É que por aí, além do mistério dos encantamentos da Fonte da Moura, sendo abundantes as tocas de coelhos, também o seria a frequência dos lobos e … de lobisomens.

Naquele caminho que gemina duas Aldeias tão chegadinhas, tão lindamente alumiado pelos fachucos de palha e pelas cantorias da mocidade, mais nova ou mais crescida, da GRANGINHA quando ia Cantar os Reis aos Amigos do CANDO, um dia, à noite, cerrada, o Benjamim do Cando enfrentou um valente lobo.

Do confronto, o Benjamim ganhou um valente susto; o lobo apanhou um valente tiraço.

Um dia, o comboio da tarde, ao arrancar da estação de Curalha para, depois de parar na Fonte Nova, descansar em Chaves, apitou estridente e com solfejo esquisito.

Chegado à Ribeira da Tia Maria do Campo soltou uma golfada de fumo e falmegas descomunal. As labaredas, em correria mais que louca, transformaram num inferno campos, vinhas, matagais e floresta.

Até os bichos-da-unha, que os NETOS da GRANGINHA iam caçar lá no Vale Coelho, ficaram exterminados.

E outros incendiários já nem as “merendeiras” consentem a embelezar o CAMPO!

Mas a Natureza desse país, viradinho ao norte do Amor e ao nascente da Amizade, é reconhecida. E ainda hoje nos deixa o rico sabor de um melão e de uma melancia do CANDO, de uns figos e de umas cerejas da GRANGINHA, de uma pingota em qualquer adega da GRANGINHA ou do CANDO, e daquele aconchego amigo que regala a alma, por mais sofrida ou feliz que esteja!

É o país de GRANGINHA - CANDO!

LUÍS DA GRANGINHA

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